Sem querer me intrometer | Mariana Baptista

Resenha: Broken Heart | John Felix

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Título: Broken Heart
Autor: John Felix
Editora: Publicação Independente
Páginas: ± 500 (estimado)
Avaliação: ★★★★ (5/5)




Broken Heart conta a história de Claire, uma garota que é atormentada por um sonho que vem se repetindo há anos, e que se tornam frequentes com a chegada de seu décimo oitavo aniversário. Claire cresceu em um orfanato e, com a morte de sua primeira tutora, vai morar com Nanam, uma senhora carismática que vive em San Juan Insland, um complexo de ilhas entre Vancouver e Seattle. Ela não é bem aceita na nova escola, porém acaba conquistando a amizade de um único aluno que, com o passar do tempo, ganha seu coração. Mas para sua sorte, é ex-namorado da garota que, desde sua chegada, declara que a odeia. Tudo muda quando uma estranha aluna se matricula e acaba desencadeando acontecimentos que estavam presentes apenas em seus secretos - e incomuns - sonhos.

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     Era terça-feira à noite e eu estava conversando com alguns autores a fim de combinar os últimos detalhes do evento da Semana Nacional do Livro que aconteceria em Campinas em poucos dias quando, de repente, o John Felix me envia a seguinte mensagem: “Mari, tenho uma proposta para te fazer, mas não sei se você vai aceitar”. Curiosa como sou, quis saber imediatamente qual era a tal da proposta e ele completou “Tenho um livro que irá ser lançado em setembro [estávamos em julho], queria saber se você consegue ler até sábado”, super empolgada em ser leitora beta, mesmo com o prazo apertadíssimo, aceitei me aventurar pelas 300 páginas sem revisão de Broken Heart. Baita desafio, não é mesmo? Mas só tenho a dizer que realmente gostaria que todos os desafios da vida fossem tão simples e prazerosos como esse.
     Comecei a leitura na madrugada de quarta-feira e em menos de 48 horas já havia terminado ― com bastante pesar, já que queria mais. Bem mais. ― a leitura do novo livro do autor de Noturno.

     Em Broken Heart, conhecemos Claire Heart, uma garota de dezessete anos que já enfrentara muitas adversidades na vida ― incluindo o fato de não conhecer seus pais biológicos e ter perdido a primeira e mais amada tutora, Joy, na luta contra o câncer ― e agora lutava para se enturmar aos outros jovens de sua idade ao mesmo tempo em que perdia seu sono e parte de sua sanidade com um estranho sonho que a assombrava frequentemente desde os treze anos de idade.

     Sempre recusada pela maioria dos colegas de colégio, o único amigo verdadeiro de Claire sempre foi Adam, um lindo e popular garoto que, por motivos inexplicáveis, sempre protegia, defendia e apoiava a protagonista.
     Os dois eram muitos próximos e confidenciavam tudo um ao outro ―, ou melhor, quase tudo. Mas como uma menina pode se aproximar tanto de um rapaz tão incrível e não se apaixonar? E como lidar com o medo de destruir uma bela amizade devido a um amor platônico? Esses eram alguns dilemas vividos por Claire durante a convivência com Adam.

     Porém, com a chegada de Selena, uma estilosa nova aluna de cabelos verdes, Claire descobre que as coisas podem ser mais fáceis quando se conquista novos amigos. Com a ligação intensa e espontânea entre as duas, o mundo de Heart vira mais uma vez de cabeça para baixo e ela passa a descobrir e solucionar muitos mistérios de seu próprio passado (além de trazer, de brinde, mais confusão ainda para sua vida com o surgimento de Blake, irmão de Sel).

     Quando nos acostumamos com o ambiente de romance adolescente em Broken Heart, John Felix abala nossas estruturas com uma fantasia densa e muito bem moldada. Durante o livro, as descobertas de Claire tornam-se cada vez mais surpreendentes e somos apresentados a uma nova cultura totalmente inovadora e cheia de detalhes.

     Outro ponto de destaque no livro é a construção dos personagens. As (várias) irmãs de Selena ― Amabily, Jenna, Kiera, Helena e Lori ―, por exemplo, são extremamente diferentes entre si e em todas suas falas e aparições podemos notar essas diferenças sem que haja o surgimento de nenhum ponto desconexo de personalidade.
     A própria Claire é uma personagem que vale a pena ser conhecida. Com suas discussões divertidíssimas com a própria consciência e citações bastante sábias que levam o leitor a refletir, a protagonista torna-se muito interessante durante toda a narrativa.

     Além disso, o autor utiliza de recursos muito bacanas para integrar o público à leitura. John Felix escreve com um vocabulário simples e descontraído, traz indicações de músicas e faz referências a outros livros de maneira muito coerente à estória.

     Broken Heart vale muito a pena para os fãs de fantasia. O final é surpreendente e nos deixa totalmente sem fôlego e preparadíssimos para ler muitas outras aventuras de Claire.

     E se minha resenha ainda não foi o suficiente para te convencer a ler o novo romance do John, tenho certeza de que o booktrailer concluirá esse trabalho por mim. Eu, particularmente, quase surtei quando o assisti pela primeira vez e aposto que vocês terão reações parecidas.


Resenha: Laranja Mecanica | Anthony Burgess

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Título: Laranja Mecânica
Original: A Clockwork Orange
Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Páginas: 352
Avaliação:  (5/5)




Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.

     E ai galera, faz um tempo que não escrevo (quase dez meses), mas a culpada disso é a faculdade que suga todo e qualquer momento de leitura livre, enfiando goela abaixo qualquer leitura que seja acadêmica, e que provavelmente o professor vá cobrar na próxima aula. Fazer o que, isso é humanas. Dessa vez o livro escolhido foi o Laranja Mecânica, obra famosa de Anthony Burgess, pela história conturbada e pela época em que foi lançado, onde escrever distopia não era modinha. Eu já mirava esse livro há um bom tempo, mas nunca entrava em promoção, até o ultimo Black Friday, onde consegui o meu por uma mixaria. 

     Começando o livro, somos apresentados a sua estrutura, historicidade e a um desafio peculiar, lê-lo sem consultarmos o vocabulário anexo, pois o livro foi escrito na Europa, onde usava-se muitos slovos (palavras) derivadas do eslavo e que eram utilizados pelos nadsats (adolescentes) como comumente encontramos gírias que classificam os grupos marginalizados da sociedade.

     Bom, se a ideia era fazer com que não gostasse do Alex, protagonista do livro, o autor foi bem sucedido, pois somos expostos a uma série de coisas que ele e seu grupo fazem para aproveitar a noite, mas não sem antes tomarem seus molokos com a finalidade de ficarem prontos para um vinte contra um muito horrorshow. E assim corre a primeira parte do livro, que segundo a explicação do início tem como base o número 21, pois de acordo com a cultura anglo-americana é a idade em que o homem entra na vida adulta. 

     Após esse momento, acontece algumas mudanças na história, e inicia-se a segunda parte da história, o tratamento Ludovico, que se passa na Prestata (cadeia) e onde é inserido o verdadeiro sentido do livro, explicando o que é a verdadeira laranja mecânica ("A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro, 6655321. Bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem."), onde consiste o real interesse do governo, que possui um índice de criminalidade enorme e não consegue contornar essa tendência, uma vez que só se prende o criminoso, sem regenera-lo, somando somente custos para o Estado

     O legal dessa história é que mesmo sendo escrito em 1962, existem vários pontos sociais em comum com o tempo atual, em que somos escravos de uma segurança interina e precisamos nos cercar de formas para nos proteger, onde também existe uma polícia truculenta que coage a população, não ensinando nada a não ser mais ódio e violência, e por fim, o interesse do Estado em uma limpeza social, onde se guarda as “vítimas da modernidade” em “zoológicos”, passando uma falsa ideia de justiça e igualdade. 

     Confesso que terminando de ler o livro, corri assistir ao filme, e sim, quem somente assistiu ao filme, teve uma grande videada do que o livro fala, pois este é extremamente fiel a toda a história original, deixando somente diferenciado o final, pois ainda existe um capitulo após o termino da história, e que de certa forma muda todo o desfecho. Então, Ó irmão, convido-os a esluchar este drugui que vos escreve e perderem um tempo videando para entender como era a vida de Alex, Pete, Tosco e George no meio de uma sociedade degenerada e essa kal total. Que Bog nos ajude.

Resenha: Just Listen | Sarah Dessen

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Título: Just Listen
Original: Just Listen
Autora: Sarah Dessen
Editora: Farol Literário
Páginas: 307
Avaliação: ★★★ (4/5)




Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Greene começa o ano letivo sozinha e sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém. Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas, a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.

     Se eu não me engano, já comentei com vocês como sempre me interesso por livros que apresentem qualquer indicativo de mistério na trama, né? Com Just Listen ― cujo subtítulo é A Garota que Esconde um Segredo ― não foi nem um pouco diferente. Não precisei nem ler a sinopse para ter certeza absoluta de que queria (e muito!) descobrir o tal segredo da tal garota. E fico muito feliz em ter tomado essa decisão.

     Just Listen traz a estória de Annabel Greene, uma típica jovem popular no colégio. Dando valor excessivo à sua aparência, como a maioria dos adolescentes de classe média alta com os quais convivia, a protagonista sempre teve uma vida perfeita, rodeada de amigos, paqueras e diversão. Porém, certo dia, em uma festa, a garota foi vista com Will, o namorado de sua melhor amiga, Sophie. A partir de então, Annabel perdeu todas as suas amizades e, tachada como “vadia”, passou a receber o desprezo de seus colegas de escola.

Na primeira semana de aula, Sophie me ignorou completamente. Isso foi difícil. Mas quando ela finalmente começou a falar comigo, logo percebi que preferia o silêncio.
― Vadia. Capítulo 4, pág. 57

     Os verdadeiros acontecimentos daquela noite jamais chegaram a ser ouvidos. Mesmo sem qualquer conhecimento sobre o que acarretara no envolvimento de Annabel e Will, todos simplesmente deduziram o óbvio e julgaram a menina: Apenas uma imoral que havia traído a confiança de sua melhor amiga por um desejo carnal. Porém, como protagonista de toda aquela situação, Greene sabia perfeitamente que aquela não era, nem de longe, toda a verdade e precisava reunir forças para superar aquela noite fatídica e reconstruir sua vida diante da rejeição que jamais havia recebido antes.

     Nessa nova fase de sua vida, Annabel conhece Owen, um atípico e antissocial jovem de seu colégio conhecido apenas pela repercussão cruel de seus ataques de raiva esporádicos. Porém, a garota acaba descobrindo que seu novo amigo é muito mais do que apenas um descontrolado. Por trás de seus rótulos, Owen esconde uma personalidade meiga, divertida e totalmente diferente de tudo aquilo que ela já havia conhecido em seu antigo grupo.

(...) Owen detestava silêncio. Também constava na sua lista de coisas de que ele não gostava: manteiga de amendoim (muito seca), mentirosos (dispensa explicações), e pessoas que não davam gorjetas (aparentemente, entregar pizzas não pagava muito bem). E estes eram apenas o que eu sabia até o momento. Talvez fosse por causa do tempo em que ele ficou no Gerenciamento de Raiva, mas Owen era muito aberto com relação às coisas que o irritavam. Capítulo 9, pág. 135

     A trama Just Listen começa despretensiosa, porém adquire forças conforme vai revelando mais e mais detalhes do drama vivido por Annabel. Aos poucos, assuntos polêmicos e pesados como bullying, problemas familiares, anorexia, abuso sexual e depressão envolvem-se na narrativa e a tornam cada vez mais densa e reflexiva.

     Narrada em primeira pessoa por Annabel, a estória de Sarah Dessen tem tudo para conquistar um lugar entre os livros favoritos de seus leitores. Um young adult recomendadíssimo aos fãs do gênero!

"Don't think or judge. Just listen."